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O segredo da cicatrização rápida pode estar no mar

Na medicina veterinária, acelerar a cicatrização e evitar complicações

pós-cirúrgicas é fundamental. Nesse cenário, a quitosana vem ganhando destaque como um biomaterial natural, seguro e eficaz, capaz de favorecer a recuperação dos tecidos.


O que é a quitosana?


Derivada da quitina, um componente abundante nas cascas de crustáceos como camarões e caranguejos, a quitosana é um polímero com propriedades únicas: é biocompatível, biodegradável e bioativa.Isso significa que ela interage positivamente com o organismo, estimulando processos naturais de cicatrização sem causar rejeição.


Evidências científicas que comprovam seu potencial


Um estudo recente publicado nos Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia avaliou o uso de filmes de quitosana na reparação de lesões no tendão gastrocnêmio de coelhos, um modelo experimental bastante utilizado para entender processos de cicatrização em tecidos musculoesqueléticos.(veja o artigo completo aqui)


Como foi o estudo


Animais utilizados: 12 coelhos da raça Nova Zelândia foram divididos em dois grupos  grupo controle (sem aplicação do filme) e grupo tratamento que recebeu o filme de quitosana sobre a lesão.


Procedimento: foi realizada a secção parcial do tendão gastrocnêmio, seguida da aplicação do filme de quitosana no grupo tratamento, fixado com pontos simples.


Avaliações: Realizadas análises clínicas e histológicas foram feitas aos 60 e 90 dias pós-operatórios para avaliar o progresso da cicatrização.


Fotomicrografia do tendão de coelho do grupo tratamento aos 90 dias pós-operatório. As setas indicam uma organização das células achatadas (fibrócitos), as fibras colágenas se orientam em feixes longitudinais e há maior quantidade de tecido conjuntivo denso modelado. Intensa presença de neovascularização, macrófagos e neutrófilos. Aumento de 10x
Fotomicrografia do tendão de coelho do grupo tratamento aos 90 dias pós-operatório. As setas indicam uma organização das células achatadas (fibrócitos), as fibras colágenas se orientam em feixes longitudinais e há maior quantidade de tecido conjuntivo denso modelado. Intensa presença de neovascularização, macrófagos e neutrófilos. Aumento de 10x

Os principais resultados mostraram:


  • Aumento significativo na proliferação de fibroblastos, células-chave na formação do colágeno.

  • Melhora na organização das fibras colágenas, garantindo maior resistência ao tendão.

  • Formação saudável de novos vasos sanguíneos (neovascularização).

  • Ausência de inflamação excessiva ou rejeição ao material.

  • Esses achados confirmam que a quitosana estimula a regeneração celular e acelera o processo de cicatrização, melhorando a qualidade do tecido reparado.


Um olhar para o futuro


A quitosana vem sendo cada vez mais estudada em tratamentos veterinários, com resultados que comprovam sua segurança e eficácia.Ela está avançando para além dos laboratórios, sendo incorporada em práticas clínicas, principalmente na cicatrização e regeneração tecidual.


Essa tendência indica que, em breve, a quitosana poderá ser uma ferramenta comum no dia a dia do veterinário, ajudando a melhorar a recuperação dos pacientes.


Fontes para aprofundar mais


Quer entender melhor o potencial da quitosana na medicina veterinária? Aqui vão alguns estudos relevantes que valem a leitura:


  • Embrapa Instrumentação Agropecuária (2007) – Um dos primeiros estudos brasileiros sobre o uso da quitosana como agente cicatrizante. A pesquisa avaliou a aplicação tópica em feridas de ratos e observou efeitos positivos na organização dos tecidos e aceleração da cicatrização. Leia aqui


  • ABMVZ (2023) – Estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia mostrou que filmes de quitosana aplicados em lesões do tendão gastrocnêmio de coelhos estimularam regeneração celular e organização de colágeno. Leia aqui



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